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| COMO NOS TORNARMOS MAIS FELIZES? |
A maioria das pessoas quer ser feliz. Felicidade foi classificada como a coisa mais importante na vida numa pesquisa mundial entre estudantes universitários. A felicidade é também desejável por outras razões. Várias investigações têm mostrado que melhora o comportamento social e alonga a vida. A felicidade é também um sinal de que as necessidades humanas estão a ser devidamente atendidas.
Dado que a felicidade é algo muito valioso, é importante considerar também os factores que nos fazem felizes e como podemos trabalhar para aumentar a felicidade individual, nacional e global. Dentro dos últimos anos temos vindo a assistir a uma maior consciência sobre a pesquisa da felicidade no cenário científico e em debates comunitários graças a pesquisas empíricas sobre a felicidade. A quantidade de artigos publicados sobre a felicidade tem vindo a aumentar constantemente. Vários milhares de artigos académicos têm estudado o assunto e os resultados da pesquisa sobre a felicidade têm sido publicados em revistas proeminentes como a Science e a Nature. Dito isto, o nosso conhecimento sobre os factores que se correlacionam com a felicidade das pessoas tem vindo a aumentar.
Mas então como nos tornamos mais felizes?
Uma das conclusões mais importantes retiradas da investigação sobre a felicidade é que existem muitas variáveis que desempenham um papel importante na felicidade das pessoas. Tanto a personalidade, como o nível de vida, ou as actividades e factores culturais têm provado ser factores significativos. Abaixo segue um breve resumo dos factores mais importantes. É importante considerar que quase todos estes estudos foram realizados em países ocidentais. Dito isto, os resultados não podem ser confiavelmente generalizados a todos os países e culturas.
Personalidade / traços psicológicos
A investigação tem dado uma ideia bastante clara que nos países desenvolvidos, os factores psicológicos - especialmente a nossa personalidade - são de longe os factores que mais influenciam a nossa felicidade. A nossa personalidade afecta o modo como sentimos, pensamos e agimos no mundo.
Existem dois tipos de personalidade que se têm demonstrado como particularmente propícios para a felicidade: a estabilidade emocional e a extroversão. As pessoas emocionalmente estáveis estão raramente preocupadas, pois elas são optimistas e se recuperam rapidamente de experiências negativas.
Quanto às pessoas extrovertidas, elas tendem a ser sociáveis, entusiasmadas e motivadas. Todas essas características têm demonstrado ter um forte efeito positivo sobre a satisfação de vida e o bem-estar. Os indivíduos que se consideram particularmente bondosos e focados também tendem a ser ligeiramente mais felizes do que a média. Em muitos estudos, foi demonstrado que a variação entre pessoas de categorias diferentes de personalidade tem uma forte correlação genética. 40 a 50% das variações de personalidade são geneticamente determinadas.
Contudo, embora a personalidade tenha essa componente congénita, existem estudos que demonstram que a nossa personalidade pode mudar ao longo da vida. Por exemplo, as mulheres tendem a tornar se mais estáveis emocionalmente há medida que vão envelhecendo.
Saúde
Muitos estudos demonstram uma forte ligação entre a saúde geral subjectiva e a felicidade. Alguns cientistas concluíram que a saúde é o segundo maior factor na determinação da felicidade, depois de personalidade. No entanto, as medidas subjectivas relacionadas com a saúde são fortemente influenciadas pelo quão optimistas ou quão pessimistas somos, e não reflectem totalmente o nosso estado de saúde "objectivo". Tem-se demostrado que as pessoas se adaptam facilmente às doenças e deficiências físicas que normalmente não tenham um impacto sobre a saúde mental.
Sexo e idade
As relações entre idade e felicidade são, em geral, fracas. Alguns estudos sugerem que as pessoas são um pouco mais felizes à medida que envelhecem. Pelo menos, até aos 70 anos de idade.
Os homens e as mulheres tendem a ser igualmente satisfeitos com sua vida na maioria dos países. Em alguns estudos, o bem-estar médio das mulheres é inferior ao masculino. As mulheres, em média, experimentam sentimentos negativos e sintomas de depressão mais frequentemente. Outros estudos sugeriram que a susceptibilidade das mulheres à depressão não pode ser explicada pelo seu histórico socioeconómico.
Talvez a diferença possa ser explicada pelas diferenças biológicas inerentes aos sexos, ou então pelas diferenças nos papéis socialmente construídos para os homens e para as mulheres. Nenhuma destas hipóteses foi confirmada ainda.
Condições de vida
Algumas investigações demonstram que, dentro de um determinado país, o nível de vida afecta 10-15% da variação entre a felicidade das pessoas. À primeira, essa percentagem pode parecer surpreendentemente baixa. Todavia, existem muitas razões pelas quais este factor possa desempenhar um papel tão pequeno. Uma delas é que a maioria das pessoas nos países desenvolvidos alcançaram um nível básico de recursos materiais para além do qual, a adição de mais recursos tem menor impacto. Segundo a teoria de Maslow, outra razão prende-se ao facto de nos países desenvolvidos, a necessidade hierárquica passar a ser bastante mais relevante - outras necessidades, como por exemplo, a auto-realização, tornam-se mais proeminentes quando as necessidades materiais e sociais são cumpridas. Outra razão apresentada explica-se pelo facto que quando o nosso nível de vida aumenta, aquilo que consideramos ser um nível de vida aceitável também aumenta.
A investigação sobre como os diferentes eventos afectam a nossa felicidade mostra que esse tipo de adaptação é muito comum. No entanto, outra razão é que as pessoas em circunstâncias mais "afortunadas" tendem a não gastar o seu tempo em actividades tão satisfatórias como os menos afortunados. Nos EUA, por exemplo, as pessoas com rendimentos elevados tendem a gastar mais tempo com trabalho e com deslocamento para o trabalho do que aqueles que ganham menos. Para ambos os grupos, o deslocamento e o trabalho estão associados com um bem-estar reduzido.
Elementos socioeconómicos
De todos os factores socioeconómicos, o desemprego tem claramente um efeito negativo sobre a felicidade. Isso leva a uma satisfação de vida menor e não envolve nenhum tipo de selectividade. O efeito negativo não é necessariamente devido ao menor rendimento dos desempregados, e parece estar mais ligado à falta de uma rede social, à autoconfiança, e ao sentimento do significado de ter uma determinada função. É possível que o efeito negativo seja menos pronunciado para o bem-estar do que para a satisfação de vida. Um exemplo é que as pessoas não levam em conta apenas a forma como elas estão satisfeitas quando elas valorizam a sua vida, levando também em conta as normas e expectativas sociais. Uma pesquisa encontrou uma forte ligação negativa entre desemprego e satisfação de vida em regiões onde as pessoas tendem a ter uma forte ética de trabalho.
As pessoas com rendimentos elevados parecem ser mais felizes do que pessoas com rendimentos diminuídos. No entanto, a ligação tende a enfraquecer na escala superior de rendimento. Tal aspecto correlaciona se muito bem com a teoria sobre diminuir a necessidade marginal. A conexão entre o rendimento monetário e a felicidade é mais forte para a satisfação de vida do que para o bem-estar. Tal como acontece com o desemprego, uma explicação razoável é que as nossas condições materiais, bem como a nossa saúde, afectam a maneira como estamos satisfeitos com nossas vidas, não apenas o quão felizes nos sentimos. Assim, será que um maior rendimento causa mais felicidade, ou a felicidade é que nos faz ganhar maiores rendimentos? A conexão entre felicidade e rendimento aplica-se nos dois sentidos. Num estudo longitudinal, os investigadores descobriram que as pessoas que eram mais felizes no início da vida obtiveram maiores rendimentos mais tarde na vida. O efeito do rendimento provavelmente também depende da forma como está a ser gasta. Um grande estudo americano não encontrou qualquer relação significativa entre o consumo pessoal e a felicidade. No entanto, os gastos com amigos e com a caridade tiveram um efeito positivo.
E relativamente à conexão entre educação e felicidade? Na maioria dos países existe uma correlação entre felicidade e nosso nível de educação. No entanto, a correlação é geralmente fraca, e depende muitas vezes das pessoas com um elevado nível de formação terem também um rendimento elevado.
Relações sociais
As relações sociais desempenham um papel importante na nossa felicidade. Num estudo com pessoas muito felizes, os pesquisadores Seligman e Diener descobriram que as boas relações sociais eram a coisa mais importante para elas. O nosso bem-estar aumenta quando passamos o tempo com os amigos - tanto pessoas introvertidas como extrovertidas ganham quantidades iguais de bem-estar nas actividades sociais.
As relações amorosas também são importantes. Por exemplo, os casados tendem a ser mais felizes do que os solteiros. No entanto, uma parte desta ligação pode basear-se num efeito de selecção. As pessoas felizes são mais propensas a encontrar um parceiro romântico e a construir uma relação satisfatória.
Actividades de lazer
As pessoas que são activas durante o seu tempo livre tendem a ser mais felizes do que pessoas que gastam o seu tempo livre de forma passiva. Para além das actividades sociais mencionadas acima, as pessoas que se envolvem com caridade são mais felizes do que a média. Por outro lado, as pessoas que passam muito tempo a assistir à televisão tendem a ser menos felizes do que a média. O exercício físico, relações sociais e sexo também têm maiores benefícios imediatos sobre a nossa felicidade do que actividades passivas como assistir televisão.
TU sabes a receita… vá… MEXE-TE!

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